O Modernismo em Cassiano Ricardo “Viagem sobre o Espelho”

Professor: Francesco Marino

Disciplina: Literatura Brasileira III

Acadêmica: Joana da Paz

Data: 17 / 03 / 2008.     

 

O tempo é efêmero, no momento em que se nasce, já se começa a morrer, ser é apenas uma face do não ser 

                                                                                                              Cassiano Ricardo

 

O Modernismo em Cassiano Ricardo “Viagem sobre o Espelho”

           

Introdução

 

            Sabe-se que o Modernismo (1922 – 1930) no Brasil teve início com a SAM de 11 a 18 de fevereiro 1922, foi uma geração revolucionária, tanto nas artes como na política: voltada contra toda espécie de "passadismo" e acreditava-se no progresso e nas possibilidades de transformação do mundo; foi uma geração crítica e anarquista; uma geração de combate. Suas armas eram: a piada, o ridículo, o escândalo, a agitação.

 

Principais autores modernistas

 

Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Plínio Salgado, Raul Bopp, Ronald Carvalho

 

Contexto

 

            O Modernismo, além de ter gerado uma revolução estética na literatura, na música e nas artes plásticas, foi um momento único de intenso debate sobre o conceito de identidade nacional. Nunca antes a poesia esteve tão próxima do contexto histórico-social, ideológico e cultural, tendo como um de seus principais objetivos mostrar as faces contraditórias e diversificadas do país. Nos principais centros culturais brasileiros Rio de Janeiro e São Paulo, várias atividades marginais (assim eram chamados os manifestos) começaram a ser realizadas e culminaram com a Semana da Arte Moderna realizada no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, e que foi considerado o marco inicial do modernismo Brasileiro.

            A primeira guerra mundial provocou no mundo inteiro, alterações profundas na sociedade. O desenvolvimento urbano e industrial acarretado por ela ocasionou a transformação do panorama sócio-econômico brasileiro, sobretudo nas grandes cidades (Rio e São Paulo).

            Em toda a Europa e, principalmente na França, falava-se em renovação artística, e intelectual, como Marinetti, criador do Futurismo, que lançou manifestos, exigindo liberdade total para a literatura, que deveria acompanhar a era se vivia: científica e tecnológica.

 

Biografia

            Cassiano Ricardo Leite (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974. Eleito em 9 de setembro de 1937 para a Cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Paulo Setúbal, foi recebido em 28 de dezembro de 1937 pelo acadêmico Guilherme de Almeida. Era filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Fez os primeiros estudos na cidade natal. Aos 16 anos publicava o seu primeiro livro de poesias, Dentro da noite. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, concluindo-o no Rio, em 1917. De volta a São Paulo, foi um dos líderes do movimento de reforma literária iniciada na Semana de Arte Moderna de 1922, participando ativamente dos grupos "Verde Amarelo" que se tornaria "Grupo Anta".

            Sua obra passou por diversos momentos; inicialmente apresentava-se presa ao Parnasianismo e ao Simbolismo. Com a fase modernista, explorou temas nacionalistas e depois se restringiu, louvando a epopéia bandeirante. Por fim deteve-se em temas mais intimistas, cotidianos.

Obras principais:

Poesia: Dentro da Noite (1915), A Frauta de Pã (1917), Vamos Caçar Papagaios (1926), Martim-Cererê (1928), Deixa Estar, Jacaré (1931), O Sangue das Horas (1943), Um Dia depois do Outro (1947), A Face Perdida (1950), Poemas Murais (1950), Sonetos (1952)João Torto e A Fábula (1956), Arranha-Céu de Vidro (1956), Poesias Completas (1957), Montanha Russa (1960), A Difícil Manhã (1960), Jeremias sem Chorar (1964)

Prosa: O Brasil no Original (1936), O Negro na Bandeira (1938), A Academia e a Prosa Moderna (1939), Pedro Luís Visto Pelos Modernos (1939), Marcha para o Oeste (1943), A Academia e a Língua Brasileira (1943), A Poesia na Técnica do Romance (1953), O Homem Cordial (1959), 22 e a Poesia de Hoje (1962), Reflexos sobre a Poética de Vanguarda (1966)

Poema para análise

“Viagem sobre o Espelho       

Na grande tarde, que é um arco vermelho
oscila o barco
sobre o espelho.

Nesse barco navega o meu rosto.
O meu rosto de tripulante.
olha o meu rosto de náufrago
no espelho.

A viagem é longa.
A paisagem tambem oscila
entre o meu mundo em viagem
e a água tranquila.

Tudo é oscilação na tarde.
A água como que balança
em cada curva
entre o futuro e a demora.

Depois caminha oscilando
entre as duas margens opostas
como uma pergunta: até quando?
entre duas respostas.

Mas a oscilação mais grave
é a da viagem sobre o espelho.
Em que cada um de nós navega
com dois rostos.

Tripulante sobre o barco
e náufrago no meu reflexo
sob a tarde, em forma de arco,
vou eu, cada vez mais perplexo.

O meu rosto que se debruça,
vê o outro, caído ao fundo.
E sente , através do outro,
o abismo que aos meus pés carrego.

Antípoda de mim mesmo
entre mim e minha mágoa
levo os dois rostos a esmo
um em meu corpo, outro n’água

O que, por força, conduzo
preso ao corpo
é o que nao naufragou ainda.
O outro é o que perdi para sempre.

Viagem dupla, quase sem alvoe, que o meu barco desliza,
entre o que há de mim de salvo
e o que de salvação precisa.

Na grande tarde, que é um arco
vermelho
oscila o barco
sobre o espelho.

 

Analise do poema

A poesia de Cassiano Ricardo é de uma sensibilidade aberta aos quatro ventos, apresenta várias faces, quer do âmbito formal, quer temático, e uma evolução que, em vez de processar retilineamente, avança por ondas em meio às quais fluem conquistas anteriores deixadas de parte.

            A fase imediata exibe-nos um poeta que, alcançando superar as hesitações da hora, entra a desenvolver toda a força se suas virtualidades. Nessa altura a partir de “Viagem sobre o Espelho”, um lirismo introspectivista e cotidiano. Caracteriza-o uma obsessiva indagação do próprio “eu, de que resulta o desvendamento dum permanente “duplo” na imagem refletida sobre o espelho, numa fragmentação irremediável; o reconhecimento de uma “força incognoscível”, proveniente dessa sondagem no âmago das coisas e do “eu”, cruza uma brisa analítica que lembra Fernando Pessoa. Em tal circunstancia, representam papel decisivo as metáforas em torno do espelho e do tempo, assinalando um poeta arraigado na problemática cultural deste século e igualmente desejoso de realizações menos circunstanciais. Observa-se que a que a poesia de Cassiano Ricardo, nessa fase como nas demais, não atinge a abstração pura, uma vez que se debruça, embora interrogativamente, sobre o real físico. Entretanto, é da conveniência entre os dois planos que nasce o lirismo de alta tensão que torna a obra do poeta paulista uma das mais ricas e valiosas de sua geração.

Conclusão

             Cassiano Ricardo viveu intensantemente, a poesia e a vida brasileira, os dramas do homem moderno e os acontecimentos históricos de seu tempo. Atendendo a estes chamados de sua época, é que foi primeiro, um contemplativo; depois um intérprete de anseios nacionalistas, animado de entusiasmo, ávido de luz e de cor; e, por fim, um radar sensibilíssimo do convulso e sombrio mundo contemporâneo. Ser poeta, para ele, era um atormentado ofício, que exercia sob forma interiorizada, recolhida e depurada.

Referências 

MASSAUD, Moisés. A Literatura Brasileira Através dos Textos; 25ª edição. Editora Cultrix. São Paulo.

MASSAUD, Moisés. Dicionário de termos literários. São Paulo, Cultrix, 1944; 4ª ed., 1986.

MASSAUD, Moisés. A análise literária. São Paulo, Cultrix, 1969; 15ª ed., 2005.

RIOS, Dermival Ribeiro. Mini dicionário escolar da língua portuguesa. São Paulo: DCL, 2005.

Fonte: Algosobre  onteudo@algosobre.com.br
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Fonte: Biografia retirada do site da Academia Brasileira de Letras

Fundação Cultural Cassiano Ricardo

http://pt.wikipédia.org/wiki/Cassiano_Ricardo

       __________________________________________________

 

jp.smay@hotmail.com

 

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Sobre Da Paz

Tradutora formada no Curso Bacharelado em Letras Tradutor Francês/Português pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá - IESAP Licenciatura Plena em Letras na Universidade Vale do Acaraú - UVA / AMAPÁ. Signo - áries Horóscopo chinês - Galo Meu aniversário - 27 de março.
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