Simbolismo em Alphonsus de Guimaraens poema “Ismália”

Professor: Francesco

Disciplina: Literatura Brasileira III

Acadêmica: Joana da Paz

26 / 07 / 2008

 

Toda tristeza que anda nos
meus olhos veio de ti, meu pai, que pelos ermos choraste olhando as águas do
Mondego

                                                                                     Alphonsus
de Guimaraens

 

Simbolismo em Alphonsus de Guimaraens poema “Ismália”

 

Introdução

 

Entende-se aqui
por Simbolismo, não o conjunto de manifestações espiritualistas do último
quartel do séc. XIX e o primeiro quartel do séc. XX (como têm entendido
alguns), mas, num sentido mais especificamente histórico-literário, uma escola
ou corrente poética (incluindo a poesia em prosa e a poesia teatral), que se
afirma sobretudo entre 1890 e 1915 e que se define por um conjunto de aspectos,
aliás variáveis de autor para autor, que dizem respeito às atitudes perante a
vida, à concepção da arte literária, aos motivos e ao estilo. Sem dúvida esta
corrente literária insere-se na atmosfera mental, antipositivista, de fins do séc.
XIX; mas certos caracteres de técnica literária, de forma, são inerentes ao
conceito de Simbolismo aqui adaptado.

Alphonsus de
Guimaraens forma, com Cruz e Sousa, Eduardo Guimaraens e Emiliano Perneta, a
ala mais representativa de nosso Simbolismo, seja pelo valor da criação
poética, seja pela identidade profunda com aquele movimento literário.

Diferente de Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens,
expressa uma atitude reflexiva e melancólica, fala praticamente de um único
tema – a morte, criando uma atmosfera indefinida, vaga, plena de sugestões.

 

Contexto Histórico

Após a euforia da Segunda Revolução Industrial,
quando se incrementou a construção de ferrovias, a economia mundial entra em
crise, devido ao aumento da concorrência e da falta de mercado consumidor.                                                                                                                                    

Como o capitalismo não se
desenvolveu de maneira uniforme no mundo, houve concentração de capital em
países como França, Inglaterra e estados Unidos (este último aparecendo agora
como potência), que passaram a buscar mercado em países menos desenvolvidos,
dando início ao que hoje conhecemos como "imperialismo econômico”.

Contrariamente ao cientificismo
e objetivismo anterior, a arte passa a representar o subjetivo, o inconsciente,
buscando a unidade do ser.  A esperança
cede lugar à frustração e esta leva à busca do lado místico, espiritual do
universo.

Apesar das
diferenças, o Simbolismo é considerado uma espécie de continuação do
Romantismo, na medida em que anseia por reformas e, ao mesmo tempo, busca
refúgio fora do mundo real. A burguesia referia-se a esses artistas como
boêmios, decadentes e malditos.

 

Biografia

 

Alphonsus
Henriques da Costa Guimaraens nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais em 1870 e faleceu em 15
de julho de 1921, em Mariana, em Minas Gerais. Formou-se
bacharel em Direito, em 1894,  em Ouro Preto. Na
época dedicou-se ao jornalismo. Em 1895 tornou-se promotor de Justiça
em Conceição do Serro MG e, a partir de 1906,  Juiz em Mariana MG.

Sua obra foi
intensamente marcada com a presença de Constança sua prima e amada que faleceu
às vésperas do casamento.

A obra do Autor
tem como características o triângulo: Misticismo, Amor e Morte, é considerado
pela critica literária o poeta mais místico da Literatura Brasileira. Em cada
poesia é revivida a morte de sua noiva.

 

Principais Obras

 

Sentenário das Dores de Nossa Senhora (1899)

Câmara Ardente (1899)

Dona Mística (1899)

Kyriale (1902)

Pauvre Lyre (1921)

Pastoral aos Crentes do Amor e da
Morte (1923)

Mendigos (1920)

No Rio de Janeiro, em 1960,
publicou-se sua obra completa, inéditos e dispersos em verso e prosa.

Ossa Mea

Pulchra ut Luna

Árias e Canções

Terceira Dor

Cisnes Brancos

Ismália

Os Sonetos

 

Características

 

Atmosfera mística e litúrgica;

Exploração do tema da morte;

Termos de emprego corriqueiro na
poesia da época: lírios, luar, brancas, brumosas, pálidas, etc.,

Literatura gótica próximo aos
escritores românticos;

Poesia uniforme e equilibrada;

Ambiente místico da cidade de
Mariana e as chamas sentimentais vivida na adolescência, não permitem confundir
Alphonsus de Guimaraens com nenhum dos poetas da época, a cosmovisão timbra-se
por um acendrado espiritualismo. 

 

Ismália

 

        Alphonsus
de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…

Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em
luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava longe do céu…
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Análise do poema

 

O poema de
Alphonsus de Guimaraens, composto  de 5
estrofes com 4 versos cada, com rimas alternadas. Numa possível leitura, a
personagem-título enlouquece e se suicida.

Quanto ao aspecto gráfico-formal,
encontramos, nas primeiras 4 estrofes, sempre nos versos 3 e 4 , que se repete:
viu/viu; queria/queria; estava/estava; queria/queria. A repetição serve para
acentuar idéias contrastantes, já que em cada um desses versos é um complemento
que exprime oposição: céu/mar; subir/descer; perto/longe; subiu/desceu. Destes,
a oposição céu/mar é constante nas 5 estrofes.

Na primeira estrofe, o poema narra
o enlouquecimento de Ismália que, à janela da torre, viu a lua a espelhar-se no
mar ("Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar") .

 

 Na segunda estrofe, a loucura
("sonho") leva-a a debruçar-se mais para fora da janela
("Banhou-se toda em luar") e ter desejos conflitantes – a lua do céu
e a lua do mar, como se estivesse entre duas escolhas.

 

Na 3ª estrofe,
já delirando ("no desvario seu") ela começa a cantar; na 4ª, é
sugerido que Ismália estendeu os braços para ‘voar’ ("… como um anjo
pendeu/ As asas…"); na 5ª e última estrofe, a imagem torna-se ambígua:
as "asas" dadas por Deus são seus braços, ou se referem à alma que
voou para o céu?

Esse
"resumo" exposto é apenas uma interpretação. Quando lido e relido
atentamente, outras possibilidades se apresentam.

            A
"loucura" de Ismália é também comparada a um sonho: "No sonho em
que se perdeu". A ‘loucura’ é assim vista de forma poética, não agressiva,
e nem necessariamente negativa: aproximando "loucura" e
"sonho" , o poeta pode estar sugerindo que a loucura é um estado fora
do ordinário, do comum da vida, como é o estado do sonho. Sonhamos dormindo, ou
mesmo acordados, quando imaginamos alguma coisa ou situação.

 

Considerações finais

 

Esta pesquisa
foi elaborada em torno do Simbolismo, sendo mostrado o seu contexto histórico, principais
autores e o Simbolismo no Brasil a partir da análise do poema “Ismália de
Alphonsus de Guimaraens.

 

Com esta
análise, engrandeci meus conhecimentos acadêmicos a respeito do Simbolismo, e
principalmente conheci um pouco mais do nosso poeta simbolista brasileiro
Alphonsus de Guimaraens 

 

Referências bibliográficos

 Clenir Bellezi de Oliveira. Revista Literatura sem segredos.
Escala Educacional. São Paulo, 2007.

MASSAUD,
Moisés. A Literatura Brasileira Através dos Tempos; 25ª edição. Editora Cultrix.
São Paulo.

Vários Autores. Projeto Educacional de ensino. 2ª edição. Difusão
Cultural do Livro. São Paulo, 2005.

Referencias
online

fonte: http://www.geocities.com/Paris/Loft/7380/alphonsus.html)

fonte:http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/poesia/index.cfm?fuseaction=Detalhe&CD_Verbete=382

fonte: http://www.ditados.com.br/frases/frases.asp?frase=435

fonte:

http://Otiumliberale.blogspot.com

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Sobre Da Paz

Tradutora formada no Curso Bacharelado em Letras Tradutor Francês/Português pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá - IESAP Licenciatura Plena em Letras na Universidade Vale do Acaraú - UVA / AMAPÁ. Signo - áries Horóscopo chinês - Galo Meu aniversário - 27 de março.
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